UM AMOR
PERDIDO
o tempo
leva
o tempo
trás
vou
contar aqui de um amor grande demais
que
atravessou os umbrais
amor é
vida e alegria
é dor e
poesia
não
quero poetar melancolia
mas é
que a história que vou contar me faz rir e chorar
bem,
vou começar
a
menina corria, o menino a seguia
iam
pelas alamedas a correr
tinham
tanto a viver
ela,
linda, loira, um anjo
ele, um
belo garoto vivaz
viviam
felizes a brincar
desde
cedo começaram a se amar
ela
dizia que de outras vidas o conhecia
e ele
vendo-a tão confiante, esta possibilidade até reconhecia
ia dia,
vinha dia
e ela
moça se fazia
ele um
rapaz falante
ela uma
jovem elegante
a vida
costuma surpreender
ele
dizia que com ela pretendia se casar
mas uma
ventania veio tudo modificar
para a
guerra ele foi convocado
e ela
ficou chorando pelo seu amado
uma
carta chegava:
estou
bem,
mas
sinto saudades
ela
respondia:
sinto
sua falta também
um dia
as cartas cessaram
os
silêncios chegaram
os dois
se calaram
ela guardando-o
no coração
e ele
distante experimentando uma nova paixão
uma
enfermeira estava encantando-o e alguns beijos foram dados
ele que
dizia que nunca a esqueceria,
que
nunca a trairia...
mudanças
chegaram
ela a
esperá-lo
todos
diziam que ele não voltaria
e ela
afirmava que esperaria
esperar
até quando?
a
guerra já tinha acabado
o amor
ficara no passado
era
caso terminado
a bela
moça foi envelhecendo
e o
esquecimento não lhe chegava
esperava,
esperava
até que
um dia se viu frente a frente com ele
viu-o
chegando na cidade com uma mulher acompanhado
e
trazia um neto nos braços
ela que
sonhava com reencontro, com abraços
olharam-se
e ela se perguntou
que foi
feito de tanto amor?
o
coração latejava de dor
quando
se cruzaram ele a reconheceu de imediato e sentiu desejos de se aproximar,
mas
evitou conversar
sua
esposa não iria gostar
relembrou
as brincadeiras, o tempo feliz
lembrou
a mocinha trêmula e as juras que fizeram
...
ela
pensou vendo-o se afastar
noutra
vida vamos nos encontrar
quem
sabe um dia o vento do destino consiga nos aproximar
...
e assim
aconteceu
novamente
se cruzaram
as
lembranças lhe chegaram
e
contou-lhe tudo que sentia
ele
simplesmente sorriu e falou:
vives
de fantasia
sonia delsin
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