segunda-feira, 20 de maio de 2013




UM AMOR PERDIDO

o tempo leva
o tempo trás
vou contar aqui de um amor grande demais
que atravessou os umbrais

amor é vida e alegria
é dor e poesia

não quero poetar melancolia
mas é que a história que vou contar me faz rir e chorar
bem, vou começar

a menina corria, o menino a seguia
iam pelas alamedas a correr
tinham tanto a viver

ela, linda, loira, um anjo
ele, um belo garoto vivaz

viviam felizes a brincar
desde cedo começaram a se amar

ela dizia que de outras vidas o conhecia
e ele vendo-a tão confiante, esta possibilidade até reconhecia

ia dia, vinha dia
e ela moça se fazia
ele um rapaz falante
ela uma jovem elegante

a vida costuma surpreender
ele dizia que com ela pretendia se casar
mas uma ventania veio tudo modificar

para a guerra ele foi convocado
e ela ficou chorando pelo seu amado

uma carta chegava:
estou bem,
mas sinto saudades
ela respondia:
sinto sua falta também

um dia as cartas cessaram
os silêncios chegaram
os dois se calaram

ela guardando-o no coração
e ele distante experimentando uma nova paixão

uma enfermeira estava encantando-o e alguns beijos foram dados

ele que dizia que nunca a esqueceria,
que nunca a trairia...

mudanças chegaram
ela a esperá-lo

todos diziam que ele não voltaria
e ela afirmava que esperaria

esperar até quando?
a guerra já tinha acabado
o amor ficara no passado
era caso terminado

a bela moça foi envelhecendo
e o esquecimento não lhe chegava
esperava, esperava

até que um dia se viu frente a frente com ele
viu-o chegando na cidade com uma mulher acompanhado

e trazia um neto nos braços
ela que sonhava com reencontro, com abraços

olharam-se e ela se perguntou
que foi feito de tanto amor?
o coração latejava de dor

quando se cruzaram ele a reconheceu de imediato e sentiu desejos de se aproximar,
mas evitou conversar
sua esposa não iria gostar

relembrou as brincadeiras, o tempo feliz
lembrou a mocinha trêmula e as juras que fizeram

...

ela pensou vendo-o se afastar
noutra vida vamos nos encontrar
quem sabe um dia o vento do destino consiga nos aproximar

...

e assim aconteceu
novamente se cruzaram
as lembranças lhe chegaram
e contou-lhe tudo que sentia
ele simplesmente sorriu e falou:
vives de fantasia

sonia delsin 

Nenhum comentário:

Postar um comentário