PELE
ARDENTE
Tantos
anos e ela ali. A esperar? A sonhar?
Ela ali
a olhar.
A água
do rio a passar... a passar.
Um
pássaro livre a voar.
O
canto.
Ah, o
canto do sabiá.
Ela
ali.
Mila,
uma bela mulher.
Lindos
olhos cor de violeta.
Uma
tristeza no olhar.
Sua
história aqui vou contar.
Menina
ela corria pelo campo.
Tão
bonita com seus cabelos dourados.
O corpo
espigado.
Os
olhos encantadores.
Ela no
meio das flores.
Um
homem a espiava.
Ele a rondava.
Inocente
ela nada notava.
Ele a
violentara e ela nada falara.
Da
infância esta marca lhe ficara.
Adolescente,
ela tão crente.
Tão
intensa com seu jeito circunspeto.
Uma
mocinha diferente.
Diferente.
As
dores... as dores.
Das
dores vou falar.
Eram
dores de matar.
Ela a
morrer, ela a chorar...
Enquanto
o sol lá fora brilhava, ela morria, ela desfalecia.
Era um
quadro triste, mas era poesia.
Da
longa doença... das dores eu também tinha que falar.
Mas um
dia haveria de acabar.
E
acabou.
Outro
ciclo começou.
A
doença a derrubou, e a transformou.
O
formão da vida a moldou.
Uma
mulher fortíssima a vida preparou.
Um dia
o seu príncipe chegaria.
Um dia.
Ela
acreditava. Ela esperava.
E
aconteceu. Seu amado chegou.
Não
veio montado no vento.
Nem em
um cavalo branco.
Chegou
simplesmente.
Eram
abraços e beijos...
Eram
desejos.
E
sonhos.
Realizá-los.
Sim,
realizá-los.
Que
longa estrada ela percorreu até chegar aquele corredor comprido.
Ele a
esperava ansioso.
Lindo
no seu terno branco...
E ela
linda, linda. Uma noiva sorridente.
Um dia
um choro a comoveu mais que tudo na vida.
Um
choro e uns olhos.
Uns
olhos que a fariam amar a vida com toda a força.
E
fariam chorar todas as lágrimas.
Seu
bebê. Seu bebê.
Ela se
deitava ao lado do recém nascido e pensava.
O mundo
começava e terminava ali.
Aquela
criança.
Quanto
sofrimento os esperava!
Eram
fortes.
Tudo
superavam.
Sete
anos se passariam até que outro bebê a comovesse novamente.
Ele
chegou numa fria manhã e seu mundo mudou.
sonia delsin

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