terça-feira, 21 de maio de 2013



PELE ARDENTE

Tantos anos e ela ali. A esperar? A sonhar?
Ela ali a olhar.
A água do rio a passar... a passar.
Um pássaro livre a voar.
O canto.
Ah, o canto do sabiá.
Ela ali.

Mila, uma bela mulher.
Lindos olhos cor de violeta.
Uma tristeza no olhar.
Sua história aqui vou contar.

Menina ela corria pelo campo.
Tão bonita com seus cabelos dourados.
O corpo espigado.
Os olhos encantadores.
Ela no meio das flores.

Um homem a espiava.
Ele a rondava.
Inocente ela nada notava.

Ele a violentara e ela nada falara.
Da infância esta marca lhe ficara.

Adolescente, ela tão crente.
Tão intensa com seu jeito circunspeto.
Uma mocinha diferente.
Diferente.

As dores... as dores.
Das dores vou falar.
Eram dores de matar.
Ela a morrer, ela a chorar...
Enquanto o sol lá fora brilhava, ela morria, ela desfalecia.
Era um quadro triste, mas era poesia.

Da longa doença... das dores eu também tinha que falar.
Mas um dia haveria de acabar.
E acabou.
Outro ciclo começou.

A doença a derrubou, e a transformou.
O formão da vida a moldou.
Uma mulher fortíssima a vida preparou.

Um dia o seu príncipe chegaria.
Um dia.
Ela acreditava. Ela esperava.

E aconteceu. Seu amado chegou.
Não veio montado no vento.
Nem em um cavalo branco.
Chegou simplesmente.

Eram abraços e beijos...
Eram desejos.
E sonhos.

Realizá-los.
Sim, realizá-los.

Que longa estrada ela percorreu até chegar aquele corredor comprido.
Ele a esperava ansioso.
Lindo no seu terno branco...
E ela linda, linda. Uma noiva sorridente.


Um dia um choro a comoveu mais que tudo na vida.
Um choro e uns olhos.
Uns olhos que a fariam amar a vida com toda a força.
E fariam chorar todas as lágrimas.

Seu bebê. Seu bebê.
Ela se deitava ao lado do recém nascido e pensava.
O mundo começava e terminava ali.
Aquela criança.

Quanto sofrimento os esperava!
Eram fortes.
Tudo superavam.

Sete anos se passariam até que outro bebê a comovesse novamente.
Ele chegou numa fria manhã e seu mundo mudou.

sonia delsin 

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